Aqui no Hipper Dicas temos nos dedicado a explicar toda a tecnologia e inovação necessária para literalmente parar um veículo. Além disso temos sempre utilizado conceitos físicos, devidamente explicados, para contextualizar como as forças atuam durante uma frenagem. E nesse texto não será diferente, afinal não podemos esquecer que o freio é fundamentalmente um sistema hidráulico, e assim sendo, seu acionamento se baseia em princípios de hidráulica onde um fluido é pressurizado por tubulações com o objetivo de ampliar uma força. No caso específico do sistema de freios, o objetivo é multiplicar a força exercida sobre o pedal, pressionando as pastilhas contra os discos de modo mais eficiente possível, e assim ser capaz de parar o veículo.

Mas para um trabalho de tanta responsabilidade não podemos utilizar qualquer fluido. Não mesmo! O fluido de freio, que muitos chamam erroneamente de óleo de freio, (O fluido está mais para um álcool que para um óleo), precisa ter propriedades muito específicas. Tão específicas que não é utilizado em outro sistema automotivo, apenas nos freios. Sua principal propriedade é justamente ser capaz de transmitir força, com o mínimo de formação de bolhas ou acúmulo de impurezas.

Por isso, um fluido com características tão específicas precisa receber uma classificação. E é aí que entra a sigla DOT. Uma Norma criada pelo Departamento de Transportes Americano ou Departament Of Transportation,

(D.O.T) separa o fluido por categorias em função de suas propriedades físico-químicas definindo claramente sua aplicação, separando cada fluido de acordo com uma numeração. Assim temos o DOT 3, DOT 4 e DOT 5.

O DOT separa cada fluido pelo seu ponto de ebulição, afinal como o fluido é exposto ao calor liberado pelos freios ele está suscetível a formação de bolhas, o que precisa ser evitado a todo custo, sob o risco de perda da capacidade de frenagem. Então os fluidos são classificados de acordo com sua temperatura de ebulição, onde o DOT 3 apresenta ponto de ebulição a 205°C, o DOT 4 ferve a 230°C e o DOT 5, suporta temperaturas de até 250°C antes de mudar de estado físico. Em resumo, quanto maior o DOT, mais resistente o fluido a temperatura!

Outro ponto interessante é que o fluido de freio é higroscópico, ou seja, absorve a umidade presente no ar. Por isso o sistema é vedado e sempre que você for verificar o nível do fluido evitar deixar a tampa do reservatório de freios aberta por muito tempo. Então, se há um inimigo para o sistema de freios ele se chama Umidade. A umidade, que nada mais é que vapor d’água dispersa na atmosfera, quando absorvida pelo fluido forma micro gotículas no sistema, e como o ponto de ebulição da água é a 100 graus essa umidade ao ser exposta a temperatura de trabalho do sistema vai mudar de estado físico provocando a formação de bolhas, o que resulta em perda da capacidade de frenagem!!! Por isso o fluido deve estar sempre em bom estado, isento de umidade e trocado ao menos uma vez por ano!

É importante entender ainda que cada fluido está adequado ao nível tecnológico do sistema de freios, ou seja, um carro de 1970 utiliza DOT 3, enquanto na grande maioria dos carros atuais o recomendado é o uso do DOT 4. Perceba então que fazer uso de um DOT maior em um carro com DOT baixo não traz nenhum benefício, mas o contrário deve ser evitado a todo o custo sob o risco de comprometer a eficiência de frenagem.

Então, agora que você já entende a importância do DOT para o sistema de freios você já tem a consciência de que o fluido de freio correto para o seu carro é aquele que está indicado no manual. E, que daqui em diante respeitando a Norma você poderá ir muito mais longe! Até o próximo texto!

MAIS HIPPERDICAS

– O recomendado é a troca do fluido ao menos uma vez por ano e a cada manutenção do sistema de freios;

– Não é recomendado misturar fluido velho com fluido novo, mesmo que de mesmo DOT. O correto é trocar um fluido completamente;

– Misturar fluidos de DOT diferentes não é recomendado, pois pode provocar reação e formação de resíduos;

– Como o fluido absorve água não é recomendado guardar embalagem aberta para utilizar posteriormente.

Fonte: Hipper Freios

https://www.hipperfreios.com.br/pt-br/dica/mas-afinal-o-que-significa-dot-49

Desde que o sistema de freios passou a utilizar um fluido para distribuir a pressão de frenagem de forma igual entre as rodas que passamos a ter um circuito bem definido, formado por tubulações e um reservatório principal, onde o fluido é armazenado. A questão reside justamente na forma de entregar esse fluido da maneira mais eficiente e segura possível.

Considerando que o reservatório se localiza na dianteira do veículo, no vão do motor, normalmente no lado do motorista, acoplado ao cilindro mestre, a questão é como distribuir corretamente e de forma segura o fluido entre as rodas. Uma forma seria enviar o fluido de forma paralela, distribuído para as rodas do mesmo lado, com tubulação em formato “H”, muito utilizado em cilindros mestres simples e no início dos cilindros mestres duplos. O que pareceu uma solução simples, se tornou um problema grave. Caso um dos lados do circuito apresente vazamento, a pressão seria exercida em apenas um único lado do veículo, causando uma tendência de rotação do carro em uma frenagem, algo que não é interessante em se tratando de controle do automóvel.

Imagine agora a distribuição em “X” onde, partindo do reservatório o fluido é distribuído na diagonal, ligando a roda dianteira direita a traseira esquerda, e a dianteira esquerda a traseira direita. Isso traz uma grande vantagem, que em caso de vazamento de uma tubulação do circuito, a pressão é distribuída de forma cruzada, ajudando a equilibrar o veículo.

Matematicamente, isso faz ainda mais sentido. Se considerarmos que durante uma frenagem cerca de 70% do esforço se concentra na dianteira, sendo 35% em cada roda, restam os demais 30% para as rodas traseiras, onde cada roda de trás é responsável por 15% da força de frenagem. Imaginando a condição de vazamento em um circuito, nessa distribuição em “X”, teremos a força de frenagem distribuída de forma cruzada, que ajuda a equilibrar o automóvel, só que garantindo 50% do esforço (35% de uma roda dianteira e os 15% de uma roda traseira ), o que podemos dizer ser a melhor condição dentro dessa situação crítica.

A partir dessa reflexão que as Montadoras adotaram o circuito de freio cruzado com maior frequência a partir dos anos de 1970, e desde então esse formato foi popularizado nos anos seguintes, tornando-se um padrão até os dias atuais. A diferença nos carros mais modernos reside no fato da distribuição hoje parte do módulo hidráulico do ABS, mas mantendo a distribuição cruzada em” X”. Essa configuração define também a correta sequência para sangria do sistema (extração do ar) que é seguida pelo técnico durante a troca do fluido por um novo.

Em resumo, o circuito de freio cruzado traz muito mais segurança e eficiência, para o condutor e passageiros! Até o próximo HIPPERDICAS!

MAIS HIPPERDICAS:

– O circuito cruzado é utilizado em todos os carros modernos atuais;

– O ABS ajuda na distribuição da frenagem cruzada, modulando a pressão nas rodas de forma independente.